4º S [ ( PUR + AU ) + URBANOLOGIA ]
2 a 5 de dezembro de 2025

Bases epistemológicas da urbanologia

Pensando o período pós-globalização: usos do território, informação, mundos possíveis

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Pensar e construir urbanologia

Na página inicial do https://3seminario.plurau.com.br/ há algumas citações de Ana Clara Torres Ribeiro e Milton Santos que incitam a acreditar em mundos outros, da pós-globalização. Mais do que afirmações e constatações de que o jogo continua em aberto, o que eles nos dizem são possibilidades teóricas que passam, no campo da ética, a endossarmos e acreditarmos que são impulsos que levam a outros cenários ou então, de que seus argumentos devem ser firmemente rechaçados. Em certa medida, nessas proposições, há uma dose elevada de idealismo, uma aposta que nelas repousa uma das poucas saídas e respostas científicas neste estágio caótico em que nos encontramos. O paradoxo em estado puro chegou, e exige posicionamento. E, se ainda não chegou, que o esforço coletivo conduza a transformações políticas que efetivem propostas libertárias para esses dias tumultuados.

Essa foi a orientação do 4º Seminário PURAURBANOLOGIA e que deverá prosseguir após seu encerramento, que essas ações, políticas que são, não nascem para reafirmar saberes estabelecidos, mas para abrir terreno a um campo ainda em constituição. Ao convocar uma reflexão sobre as bases epistemológicas da urbanologia, assume-se o risco de habitar um território instável — um campo atravessado por diferentes tradições disciplinares, saberes situados e práticas em confronto.

Esse gesto exige disposição para abrir-se a territórios não plenamente consolidados — um exercício que demanda não apenas rigor analítico, mas também vigor para percorrer caminhos conceituais em construção. A proposta não se dirige à autoridade disciplinar ou à especialização consolidada, mas sim ao comprometimento com o pensamento em movimento, disposto a transitar entre campos, desconfiar de certezas e aceitar o risco do inacabado.

Movidos por um projeto científico acionado pela esperança de que o humanismo concreto sobrevirá em potência, a proposta deste Fórum é refletir sobre a articulação entre três eixos temáticos que por sua vez desaguam em onze subtemas e que são as mesas redonda do evento. 

O Fórum registra a base conceitual do 4º Seminário PURAURBANOLOGIA e continuará atuante para o compartilhamento de reflexões e debates de agora e também para depois de modo a constituir a historiografia presentificada de um campo de conhecimento miltoniano.

Pensar e construir urbanologia
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O convite

Na página inicial do https://3seminario.plurau.com.br/ há citações de Ana Clara Torres Ribeiro e Milton Santos que incitam a acreditar em mundos outros, da pós-globalização. Não se trata apenas de afirmações categóricas por eles pronunciadas, de que o jogo no tabuleiro político continua em aberto; o que nos dizem são possibilidades teóricas que passam, no campo da ética, a endossarmos e acreditarmos que são impulsos que levam a outros cenários. Caso contrário será melhor reconhecer de vez que tais argumentos devem ser firmemente rechaçados.

Naquelas proposições, é certo, há uma dose elevada de idealismo, uma aposta segura de que existem saídas, projetos e respostas científicas dotadas da virtude de romper este estágio caótico em que nos encontramos. O paradoxo em estado puro chegou, e exige esse posicionamento. E, se ainda não chegou, que o esforço coletivo conduza a transformações políticas que efetivem propostas libertárias para esses dias tumultuados, como queria Silvio Tendler.

Essa foi a orientação do 4º Seminário PURAURBANOLOGIA e que deverá prosseguir após seu encerramento, que essas ações, políticas que são, não nascem para reafirmar saberes estabelecidos, mas para abrir terreno a um campo ainda em constituição. Ao convocar uma reflexão sobre as bases epistemológicas da urbanologia, assume-se o risco de habitar um território instável — um campo atravessado por diferentes tradições disciplinares, saberes situados e práticas em confronto.

Esse gesto exige disposição para abrir-se a territórios nada consolidados — um exercício que não apenas demanda rigor analítico, mas também vigor para percorrer caminhos conceituais em construção. A proposta não se dirige à autoridade disciplinar ou à especialização consolidada, mas sim ao comprometimento com o pensamento em movimento, disposto a transitar entre campos, desconfiar de certezas e aceitar o risco do inacabado.

Motivados por um projeto científico acionado pela esperança de que o humanismo concreto sobrevirá em potência, a proposta deste Fórum é refletir sobre a articulação entre três eixos temáticos que, por sua vez, desaguaram nos onze subtemas circundantes às mesas redondas deste evento.

O Fórum registra a base conceitual do 4º Seminário PURAURBANOLOGIA e continuará atuante para o compartilhamento de reflexões e debates de agora, e para depois, de modo a constituir a historiografia presentificada de um campo de conhecimento miltoniano.

 

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Eixo 1 – Crítica e planificação: a cidade como construção política do comum

A cidade é aqui proposta como campo privilegiado para a crítica radical do presente e, simultaneamente, como lugar de emergência do possível. Tal monta parte do entendimento de que a cidade não é apenas efeito da urbanização contemporânea; é também espaço onde se manifestam, de forma concentrada e visível, as contradições, os conflitos e as potências sociais que desafiam os modelos hegemônicos de organização do espaço e da vida. Por assim ser, não se trata de objeto passivo de estudo, mas de uma instância crítica que interroga a técnica, a política e o projeto.

A proposta convida à reinvenção das formas de compreender e intervir no urbano, recusando as abordagens que o reduzem a um problema de gestão, eficiência ou inovação. Em contraponto, busca-se recolocar em cena a cidade como campo de disputa simbólica e material, onde diferentes concepções de território, valor e uso se enfrentam. Ao abordar temas como a tensão entre técnica e política, o esvaziamento do planejamento pela racionalidade instrumental e a centralidade do trabalho vivo na produção dos espaços, destaca-se a urgência de reconstruir o projeto urbano a partir da práxis e da imaginação. O que está em jogo vai além de uma simplória crítica ao que existe: busca-se a abertura de horizontes capazes de reconfigurar os fundamentos da vida urbana — por meio de novos sentidos de habitar, de apropriar, de criar e de lutar coletivamente por territórios justos e vivos.

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Eixo 2 – Dispositivos contemporâneos de dominação

O objetivo aqui é revelar e problematizar os dispositivos que, na contemporaneidade, operam a contenção da crítica, o esvaziamento da política e a reprodução da desigualdade territorial. A urbanização, quando conduzida por imperativos de acumulação, gestão e controle, torna-se um vetor ativo de dominação social e reorganização do espaço segundo interesses alheios ao uso e à dignidade da vida. Além de denunciar desigualdades como efeitos, busca-se compreender os mecanismos — materiais, simbólicos, e institucionais — que produzem desigualdade como função. São esses mecanismos que promovem a obsolescência induzida de territórios e populações, a modernização seletiva como estratégia de expulsão, o uso da técnica como linguagem da despolitização e a captura dos instrumentos de planejamento por racionalidades empresariais.

A fragmentação do território, a financeirização do espaço e a lógica da fluidez seletiva — que privilegia certos fluxos e bloqueia outros — são aspectos centrais da atual forma de dominação urbana. A análise desses dispositivos não os toma como falhas ou distorções de um modelo neutro, mas como expressões coerentes de um projeto de sociedade que desloca o planejamento do campo da práxis para o campo da gestão, e a política do campo do dissenso para o campo da técnica. Ao identificar tais engrenagens, abre-se espaço para o pensamento de resistência, que é inseparável da crítica. Mapear seu funcionamento torna-se um passo fundamental para restituir à ação coletiva sua potência de ruptura e reconfiguração.

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Eixo 3 – Ações territorializantes e constituição do comum

É no território vivido, apropriado e disputado, que emergem as práticas capazes de romper com a lógica dominante da produção do espaço. Parte-se da constatação de que, mesmo em contextos marcados pela precarização, fragmentação e financeirização, persistem e se renovam formas de ação coletiva, experimentação política e criação de mundos. Longe de serem meras reações à dominação, essas práticas constituem epistemes insurgentes que propõem outras formas de planificação, outros sentidos de cidade e novas relações entre técnica, política e vida. O comum, portanto, não é tomado como substantivo dado, mas como constituição cotidiana e situada — resultado de vínculos socioterritoriais, pactos de solidariedade e modos de uso compartilhado.

Ao abordar experiências de reexistência, redes de cooperação, práticas cartográficas contra-hegemônicas e sistemas de informação orientados à justiça social, pretende-se iluminar processos que desafiam as formas estabelecidas de governar, planejar e conhecer o urbano. Trata-se de deslocar o foco do aparato institucional para as práticas territoriais concretas, nelas reconhecendo não somente      resistência, mas potência criadora.

A centralidade do território como campo de luta e invenção política recoloca a cidade como espaço de elaboração coletiva do futuro — para além de uma promessa técnica ou gerencial: como horizonte construído no presente, a partir da ação dos sujeitos. Com essa perspectiva, reafirma-se a convicção de que o possível está sendo ensaiado nas margens — e que as margens, por sua vez, podem tornar-se o centro de uma nova razão política.

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