A financeirização do espaço urbano é abordada como um regime específico de produção e apropriação da cidade, no qual a lógica do capital financeiro redefine as formas de uso, propriedade e gestão do território. Diferente da mera especulação imobiliária, esse regime envolve a integração do solo, das edificações e das infraestruturas urbanas aos circuitos globais de investimento, por meio de instrumentos como fundos imobiliários, derivativos, securitização e concessões.
Aqui, o interesse central é examinar como esses mecanismos alteram o metabolismo territorial das cidades, reorganizando fluxos de investimento e transformando o planejamento em peça auxiliar da rentabilidade — um processo que reconfigura zonas de valorização e exclusão, ajusta leis e regulações para favorecer mercados e, frequentemente, intensifica a segregação socioespacial.
A análise disposta considera a multiescalaridade do fenômeno — da remodelação de bairros à reestruturação de metrópoles — e suas implicações para a governança urbana. Explora ainda as vulnerabilidades criadas por essa dinâmica, como a volatilidade dos investimentos e a dependência de capitais externos.
Ao contrapor essa lógica a experiências e propostas de regulação pública, captura social das mais-valias e proteção de territórios de interesse coletivo, a mesa situa a financeirização como campo de disputa estratégico. Não se trata apenas de diagnosticar os impactos; é primaz compreender como intervenções políticas, jurídicas e sociais podem reverter a subordinação do espaço urbano a lógicas financeiras globais, restituindo-lhe sua função social e ecológica.
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