4º S [ ( PUR + AU ) + URBANOLOGIA ]
2 a 5 de dezembro de 2025

Bases epistemológicas da urbanologia

Pensando o período pós-globalização: usos do território, informação, mundos possíveis

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Mesa 4 – Transformações no espaço construído e desigualdade territorial

A obsolescência e a modernização seletiva, longe de processos naturais ou meramente técnicos, configuram estratégias deliberadas de gestão do território, empregadas para reconfigurar a cidade segundo interesses econômicos e políticos específicos. Aqui, o olhar recai sobre a materialidade urbana — edifícios, infraestruturas, áreas centrais ou periféricas — e sobre como sua degradação ou “renovação” programada serve para redefinir usos, expulsar populações e capturar valor fundiário.

A deterioração induzida, combinada a investimentos concentrados, opera como catalisador de exclusão e de gentrificação, deslocando comunidades e promovendo homogeneização social. Desde as análises de Flávio Villaça, compreende-se que a segregação socioespacial é instrumento de controle sobre a produção do espaço urbano, e que modernizações de transporte, habitação ou equipamentos públicos frequentemente são moldadas para beneficiar segmentos específicos, mesmo quando justificadas por discursos de inovação ou sustentabilidade.

Essas intervenções são viabilizadas por dispositivos técnicos, jurídicos e financeiros — como operações urbanas, concessões e parcerias público-privadas — e sustentadas por discursos que as legitimam junto à opinião pública. Ao mesmo tempo, o campo urbano abriga experiências contra-hegemônicas que contestam essa lógica: planos comunitários, requalificação com permanência dos moradores, apropriação coletiva de espaços e gestão compartilhada de bens comuns.

Diante do que se expõe, o debate propõe analisar como esses processos de obsolescência e modernização podem ser revertidos ou reorientados para promover justiça social, equidade territorial e permanência das comunidades. Ao enfatizar o papel da intervenção física e do arranjo político-institucional, a discussão busca compreender como requalificar sem expulsar e como transformar a modernização em vetor de inclusão, preservação e fortalecimento das urbanidades.

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