O planejamento urbano é aqui compreendido como arena de produção de sentidos sobre a cidade, atravessada por disputas epistemológicas sobre que dados usar, quais saberes considerar e que métodos aplicar — e políticas, sobre quem decide, quais prioridades adotar e quem se beneficia delas. O foco recai sobre a crítica ao “pensamento único”, que, sob a aparência de neutralidade técnica, impõe soluções padronizadas e restringe o campo da imaginação urbanológica. Esse enquadramento tende a cristalizar modelos de cidade baseados em eficiência gerencial, competitividade e valorização imobiliária, reforçando desigualdades e neutralizando debates sobre justiça socioespacial.
Sob esses parâmetros de reflexão, a mesa problematiza como esse padrão se expressa em instrumentos e práticas urbanísticas que, mesmo emoldurados por discursos de modernização e sustentabilidade, produzem exclusões e deslocamentos forçados. Mais que discutir resultados, interessa compreender a lógica de poder que orienta a formulação e a aplicação desses dispositivos.
Ao mesmo tempo, busca-se mapear alternativas epistemológicas e metodológicas que recolocam o planejamento como processo político aberto: experiências que integram múltiplos saberes, reconhecem a diversidade de modos de vida e sustentam formas de governança participativa. Essas práticas desafiam a suposta inevitabilidade de modelos centralizadores e tecnocráticos, mostrando que a planificação pode ser instrumento de redistribuição de poder e de construção do comum urbano.
A partir desse enfoque, o planejamento deixa de ser visto como ferramenta meramente operacional e passa a ser pensado como campo de disputa simbólica e material, onde se confrontam diferentes visões de cidade e de futuro.
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