Mapas e representações espaciais não são registros neutros: expressam escolhas, interesses e disputas, podendo reforçar desigualdades ou sustentar lutas por transformação social. Em tal perspectiva, a cartografia é compreendida como práxis — um fazer situado que articula sujeitos, territórios e saberes na produção de conhecimento e na ação política.
O debate foca experiências que utilizam tecnologias digitais, dados abertos e sistemas de informação geográfica para dar visibilidade a dinâmicas sociais, ambientais e culturais invisibilizadas, ou para apoiar processos de planejamento socialmente necessário e de autogestão territorial. Incluem-se contra-cartografias que confrontam narrativas oficiais e modelos hegemônicos, redes colaborativas que constroem bases de dados independentes e iniciativas comunitárias que elaboram mapas para reivindicar direitos.
A análise destaca metodologias participativas que transformam o ato de mapear em espaço de encontro e organização, onde saberes locais ganham centralidade. A reflexão também aborda desafios de legitimidade, continuidade e autonomia, sobretudo frente à crise ambiental, à pressão de agendas tecnocráticas e às tentativas de cooptação.
Para além de sua conceitualização como instrumentos técnicos, essas cartografias insurgentes reposicionam comunidades como protagonistas, influenciando políticas, fortalecendo vínculos territoriais e ampliando a capacidade de ação coletiva. Ao articular representação e prática territorial, tornam-se ferramentas estratégicas para disputar sentidos e usos do território, reafirmando o direito à cidade e contribuindo para a construção de um comum urbano mais democrático.
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